Observatório Científico
Nesta seção, você encontra artigos do diretor clínico do CDBH, Rodrigo Lamounier, colunista do Diabetes.org.br, maior site sobre diabetes em língua portuguesa. Confira!

Um Retrato do Diabetes nos EUA

20, julho, 2009

Diabetes nos EUAAtualmente, vinte e quatro milhões de americanos tem diagnóstico de diabetes. O Center for Disease Control (CDC) dos Estados Unidos publicou, no final de junho, a atualização dos dados epidemiológicos sobre diabetes naquele país.

Vinte e quatro milhões de americanos tem diagnóstico de diabetes, ou 8% da população. Outros 54 milhões têm pré-diabetes, somando pouco mais de ¼ das pessoas que vivem nos Estados Unidos, apresentando problemas no metabolismo glicêmico. Em relação aos dados anteriores, de 2005, houve um aumento de 4 milhões de casos, com a prevalência da doença passando de 7% para 8% da população. Por outro lado, a percentagem de pessoas que desconhecem o diagnóstico caiu de 30 para 25% do total de pacientes diabéticos, sinalizando que as campanhas preventivas e o interesse crescente da mídia em torno do diabetes está aumentando a conscientização dos pacientes.

De acordo com os dados do relatório do CDC, o diabetes é a principal causa de cegueira adquirida, assim como de insuficiência renal terminal, sendo que 44% dos novos casos de diálise nos EUA se devem a nefropatia diabética. Mais de 60% das amputações não traumáticas que ocorrem nos Estados Unidos são em pessoas com diabetes. Estima-se que, de maneira geral, tanto no DM1 quanto no DM2, a redução de 1% da HbA1c significa diminuição em 40% no risco de desenvolvimento de complicações microvasculares. Já o controle da pressão arterial diminui o risco de complicações microvasculares em aproximadamente 33%, e o risco de DCV em 30 a 50%.

Em relação ao tratamento, o quadro é praticamente idêntico, com 57% dos casos sendo tratados com antidiabéticos orais. O número de pacientes em tratamento exclusivamente com insulina passou de 16% para 14% e o de pacientes usando associação de insulina e droga oral de 12% para 13%.

A faixa etária em que mais ocorrem casos novos de diabetes é entre 40 e 59 anos de idade, com 50% dos novos diagnósticos em adultos acima de 20 anos. Entre os jovens com até 19 anos, a incidência é de 19/100.000 para DM1 e 5,3/100.000 para DM2. Jovens brancos não-hispânicos apresentam maior incidência de DM1, enquanto a incidência de DM2 é maior em negros, americanos nativos e hispânicos. DM2 foi extremamente raro antes dos 10 anos de idade e, apesar de ainda pouco comum, a incidência é maior entre 10 e 19 anos. Em negros e latinos dos 10 aos 19 anos, a incidência de DM1 e DM2 foi semelhante. Enquanto brancos de origem caucasiana têm incidência maior de DM1, nativos americanos nesta idade já apresentam incidência de DM2 maior que de diabetes tipo 1.

Diabetes é a 7ª causa de morte naquele país, mas é provável que este dado esteja subestimado já que estudos apontam que apenas 30 a 40% dos registros de óbito de pacientes diabéticos mencionam este diagnóstico e o relato da doença como relacionada à causa de morte ocorre em apenas 10 a 15% dos casos. De maneira geral, o risco de morte para alguém com diabetes é o dobro de alguém que não tem a doença.

O custo médico de alguém com diabetes é 2,3 vezes maior que se comparada a não-diabéticos. O custo total com diabetes nos Estados Unidos no ano de 2007 é de pouco mais de 700 bilhões de dólares.

Assim, em resumo: trata-se cada vez mais de um grande problema de saúde pública, com incidência crescente, com enorme impacto na qualidade de vida e nos custos relacionados. A presença da doença sem o conhecimento do indivíduo diminuiu de maneira bastante relevante refletindo a maior conscientização na sociedade em relação ao diabetes. E as medidas preventivas mais eficientes para diminuir a incidência de novos casos de diabetes e o impacto negativo da doença na saúde da população reside em medidas de reforço de mudanças de estilo de vida, que segundo o próprio relatório têm uma custo efetividade superior ao uso de medicamentos.

É isso. Estamos de olho e vamos pra ginástica!

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