Um Retrato do Diabetes nos EUA
Atualmente, vinte e quatro milhões de americanos tem diagnóstico de diabetes. O Center for Disease Control (CDC) dos Estados Unidos publicou, no final de junho, a atualização dos dados epidemiológicos sobre diabetes naquele país.
Vinte e quatro milhões de americanos tem diagnóstico de diabetes, ou 8% da população. Outros 54 milhões têm pré-diabetes, somando pouco mais de ¼ das pessoas que vivem nos Estados Unidos, apresentando problemas no metabolismo glicêmico. Em relação aos dados anteriores, de 2005, houve um aumento de 4 milhões de casos, com a prevalência da doença passando de 7% para 8% da população. Por outro lado, a percentagem de pessoas que desconhecem o diagnóstico caiu de 30 para 25% do total de pacientes diabéticos, sinalizando que as campanhas preventivas e o interesse crescente da mídia em torno do diabetes está aumentando a conscientização dos pacientes.
De acordo com os dados do relatório do CDC, o diabetes é a principal causa de cegueira adquirida, assim como de insuficiência renal terminal, sendo que 44% dos novos casos de diálise nos EUA se devem a nefropatia diabética. Mais de 60% das amputações não traumáticas que ocorrem nos Estados Unidos são em pessoas com diabetes. Estima-se que, de maneira geral, tanto no DM1 quanto no DM2, a redução de 1% da HbA1c significa diminuição em 40% no risco de desenvolvimento de complicações microvasculares. Já o controle da pressão arterial diminui o risco de complicações microvasculares em aproximadamente 33%, e o risco de DCV em 30 a 50%.
Em relação ao tratamento, o quadro é praticamente idêntico, com 57% dos casos sendo tratados com antidiabéticos orais. O número de pacientes em tratamento exclusivamente com insulina passou de 16% para 14% e o de pacientes usando associação de insulina e droga oral de 12% para 13%.
A faixa etária em que mais ocorrem casos novos de diabetes é entre 40 e 59 anos de idade, com 50% dos novos diagnósticos em adultos acima de 20 anos. Entre os jovens com até 19 anos, a incidência é de 19/100.000 para DM1 e 5,3/100.000 para DM2. Jovens brancos não-hispânicos apresentam maior incidência de DM1, enquanto a incidência de DM2 é maior em negros, americanos nativos e hispânicos. DM2 foi extremamente raro antes dos 10 anos de idade e, apesar de ainda pouco comum, a incidência é maior entre 10 e 19 anos. Em negros e latinos dos 10 aos 19 anos, a incidência de DM1 e DM2 foi semelhante. Enquanto brancos de origem caucasiana têm incidência maior de DM1, nativos americanos nesta idade já apresentam incidência de DM2 maior que de diabetes tipo 1.
Diabetes é a 7ª causa de morte naquele país, mas é provável que este dado esteja subestimado já que estudos apontam que apenas 30 a 40% dos registros de óbito de pacientes diabéticos mencionam este diagnóstico e o relato da doença como relacionada à causa de morte ocorre em apenas 10 a 15% dos casos. De maneira geral, o risco de morte para alguém com diabetes é o dobro de alguém que não tem a doença.
O custo médico de alguém com diabetes é 2,3 vezes maior que se comparada a não-diabéticos. O custo total com diabetes nos Estados Unidos no ano de 2007 é de pouco mais de 700 bilhões de dólares.
Assim, em resumo: trata-se cada vez mais de um grande problema de saúde pública, com incidência crescente, com enorme impacto na qualidade de vida e nos custos relacionados. A presença da doença sem o conhecimento do indivíduo diminuiu de maneira bastante relevante refletindo a maior conscientização na sociedade em relação ao diabetes. E as medidas preventivas mais eficientes para diminuir a incidência de novos casos de diabetes e o impacto negativo da doença na saúde da população reside em medidas de reforço de mudanças de estilo de vida, que segundo o próprio relatório têm uma custo efetividade superior ao uso de medicamentos.
É isso. Estamos de olho e vamos pra ginástica!
