CDBH - Centro de Diabetes de Belo Horizonte

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A revolta com o diabetes e o surgimento de uma nova vida Imprimir E-mail


O diabetes mellitus (DM) é uma situação muito propícia para o surgimento da raiva. Já ao diagnósticomuitas vezes a pergunta é inevitável: por que eu? Uma condenação? A vida com diabetes pode parecer cheia de ameaças e riscos e a revolta muitas vezes surge como uma autodefesa. A questão diante do problema é não ter raiva de sua própria vida. Quando alguém se sente ameaçado, amedrontado ou frustrado, ódio e angústia são reações normais. Fazer da crise a oportunidade é, de alguma maneira, transformar o ódio no sinal de que algo precisa ser feito. Uma nova atitude. Entender e aceitar o sentimento em relação ao diagnóstico é um passo importante para que se possa usar essa energia no autocuidado. Naturalmente que o processo de convívio com a doença ocorre ao longo do tempo e esse processo tem que ser respeitado. A criança, por exemplo, na vivência com o diabetes, passa por diversas fases. Ela muitas vezes procura atribuir a causa a pessoas ou acontecimentos, tentando achar uma justificativa para o fato. Medo, desespero, insegurança e revolta são sentimentos que ela relata com muita nitidez.

Um estudo que avaliou a característica de crianças recém-diagnosticadas com diabetes, comparando entre antes e após a doença, mostrou que na visão delas, o sentimento mais forte foi o de falta de liberdade após o diagnóstico: de comer o que tem vontade, de sair de casa sem ter que se preocupar com a insulina ou sem ter medo de passar mal, de correr e brincar.

Perceber que seu corpo não é mais o mesmo. A vivência com o diabetes provoca profunda transformação no seu mundo, necessitando que aprenda a conviver com certas limitações, situações e novas rotinas.

Exigir o conformismo e a aceitação do diagnóstico pode não ser o caminho único, já que cada indivíduo deve ter a possibilidade de escrever a sua relação com a doença e o tratamento, com a sociedade e seus parceiros, especialmente no momento delicado que é a adolescência.

A participação dos pais no acompanhamento tem grande importância, sendo que especialmente a participação do pai parece ter relação direta com o controle glicêmico, medido pela HbA1c, indicando que o pai mais participativo contribui muito para o controle glicêmico do adolescente. Isso porque em geral a mãe já é  mais presente na rotina do tratamento do filho.

criançaHá uma concordância no que diz respeito à instabilidade do controle do diabetes na adolescência. Os aspectos emocionais peculiares dificultam o controle e o tratamento nessa fase do desenvolvimento humano. Flutuações amplas e rápidas na glicemia, por diversos motivos, podem adquirir proporções ainda maiores na adolescência – período caracterizado por conflitos relacionados a alterações biopsicossociais, como as mudanças no corpo, quando o jovem perde a identidade de criança e se vê obrigado a buscar uma nova posição sociocultural.

Um aspecto importante do profissional de saúde ao lidar com esses pacientes e suas famílias, é buscar maneiras de normalizar as suas vidas, o máximo possível. Evitando rótulos e sentenças e se colocando ao lado do indivíduo, no mesmo barco, à procura de um horizonte que não seja tomado exclusivamente pelo diabetes.

O emprego de técnicas psicoterápicas de autoconhecimento, autocuidado e de atenção, que ajudem a pessoa a reconhecer seus próprios pensamentos e sentimentos em relação ao diabetes, pode contribuir muito para o processo de aceitação e adaptação à doença, impactando positivamente na HbA1c. É necessário que haja, por parte dos pais e da equipe multiprofissional que o assiste, uma postura aberta para compreender a fase.

 
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