Alvoroço na imprensa, nas pessoas, nos fãs de TV, internet e de um sofazinho. Foi noticiado nesta última semana, resultados de uma pesquisa que descreve a ginástica dos sonhos dos “Couch potatos”, como se diz na América. É a pílula do exercício!
“Couch Potatos” é a expressão, muito usada nos Estados Unidos, para descrever os gordinhos sedentários, sendo composta pela junção das palavras, em inglês, “sofá” e “batata” (frita, pode-se supor). Pesquisadores do Salk Institute, na Califórnia, já haviam demonstrado, anteriormente, o papel da ativação do gene PPAR Delta, relacionado à oxidação de gordura no tecido muscular, que, quando hiperativado em camundongos geneticamente modificados, melhora a performance ao exercício de resistência.
Diante disso, os cientistas decidiram avaliar se a administração de uma medicação que ativa este gene (agonista), o GW1516, produziria efeito semelhante. Após administrar a substância a camundongos obesos e destreinados, não foi observado qualquer diferença na capacidade desses animais em resistir e suportar o exercício físico.
Tristes, mas não desanimados, os pesquisadores repetiram o mesmo experimento, porém, fazendo com que os animais passassem por uma rotina de exercício físico intenso e regular, com 30 minutos de esteira, várias vezes por semana. Assim, entre os camundongos atletas, eles viram que em comparação àqueles que receberam placebo, os que ingeriram o ativador do PPAR Delta apresentaram rendimento 68% superior. Impressionante!
A conclusão foi de que a ativação do PPAR ativa uma série de genes importantes para o recrutamento de fibras musculares de resistência, enquanto a prática de exercício físico estimulava outras, complementando o efeito e proporcionando a melhora da performance.
Estudando a cascata de reações que ocorre com a ativação do PPAR no músculo, eles resolveram então testar uma outra substância, já pesquisada para outros fins, que estimula o AMPk, uma proteína essencial nesse processo. Essa droga, chamada de AICAR, foi então administrada a uma seleção de camundongos “couch potatos”, ou seja, que foram alimentados com dieta hipercalórica e sem qualquer atividade física, mas que tinham o gene PPAR delta geneticamente hiperativado, como aqueles, descritos inicialmente.
O resultado foi que aqueles que receberam o AICAR conseguiram percorrer uma distância 44% maior que aqueles que receberam placebo. Portanto, a substância proporcionou condicionamento físico sem a prática de exercício!!!
Muita excitação, mas calma que ainda há muita estrada a se percorrer. Os testes foram feitos apenas em camundongos e ainda não se sabe se a substância é segura ou mesmo se produziria os mesmos efeitos em humanos.
Além disso, há uma série de outros efeitos metabólicos relacionados à ativação do PPAR delta e da AMPk que devem ainda ser estudados, para que se melhor entenda os efeitos resultantes da administração dessas substâncias. Outros medicamentos estimuladores de PPAR apresentaram resultados iniciais promissores, mas nem chegaram a ser utilizados clinicamente, porque a despeito dos bons resultados metabólicos, os estudos clínicos iniciais mostraram aumento de risco de mortalidade, como foi o caso dos glitazares.
De qualquer maneira, diante dos diversos pedidos que recebeu de pessoas obesas e sedentárias e ainda de atletas que se candidataram a testar o uso da droga, o pesquisador Ronald Evans, responsável pelo trabalho, já entrou em contato com o Comitê Olímpico internacional e está desenvolvendo testes de sangue e de urina que possam detectar o uso da substância, a fim de se evitar o doping ilegal.
Vejamos o que vem por aí…
Até lá, o melhor, sem dúvida, é moderar nas gostosuras, colorir a alimentação e vamos malhar!